Na escolarização a criança vai entender que a
aceitação ou rejeição social vai depender de suas realizações ou ações,
desenvolvendo assim o autoconceito, baseado no que as outras crianças ou
adultos falam a seu respeito.
Para Freud, a meninice corresponde à fase de latência no
desenvolvimento psicossexual, em que as emoções e os impulsos sexuais parecem
aquietar-se por influência da educação, e a criança se dedica à aquisição das
habilidades aceitas pelo seu grupo cultural (BARRO, 2008). Já Erikson diz que o
mais forte impulso, na meninice, é o desejo de sentir-se competente na
aprendizagem e na realização de inúmeras habilidades. A criança busca dominar
as atividades escolares, mostrar habilidade e competência. Se ela não tiver
oportunidade de se desenvolver em tarefas nas quais possa sentir-se competente,
virá o sentimento de inferioridade- idade da competência x inferioridade
(BARROS, 2008). Ou seja, é nesse período em que a criança tenta mostrar sempre
seu melhor em busca da aceitação, porém quando ela não consegue sempre a aprovação,
surgem algumas consequências em seu comportamento, por exemplo, agressividade,
retraimento e regressão.
Uma criança que fracassa na escola pode apresentar
comportamentos agressivos (físicos ou verbais), afim de reagir à frustração ou
compensar a rejeição sofrida. A agressão pode ainda manifestar-se em desenhos,
no relacionamento com os colegas, ou mesmo nos cadernos e em outros materiais
escolares.
Temos a tendência de evitar aquilo que nos faz sentir ameaçados
ou inferiorizados, nesse sentido a rejeição se manifesta na forma de
retraimento. Assim, a criança pode não expor suas dúvidas para o professor, ou
não participar de brincadeiras com os colegas, por medo de não corresponder às
expectativas. Ou ela pode ainda fantasiar e querer apenas viver no seu mundo do
faz de conta onde a realidade não pode ser testada.
Ainda nessa conduta de rejeição, a criança pode apresentar características de fases anteriores. Ela volta para uma fase que foi segura na tentativa de fugir de situações conflitantes para ela, Cória-Sabini (2010) denomina esse processo de regressão. Se um irmãozinho nasce, por exemplo, a criança pode se sentir ameaçada em perder o amor dos pais e começa a regredir comportamentos de fases anteriores como querer mamar na mamadeira, não controlar mais a diurese, exigir colo etc.
A família irá ensinar as orientações básicas para a vida. Será no ambiente familiar que a criança vai aprender valores éticos e os ideais religiosos da família. Na escola e no convívio com a comunidade e os companheiros, essas orientações podem ser reforçadas ou questionadas, em conflitos leves ou intensos. Contudo, as ações que a criança nessa fase julga correta são as correspondentes aos padrões grupais. Isso faz com que ela se torne sensível à crítica e à reprovação. Assim, ela começa a conter seus impulsos ou exigências para agradar aos outros ou evitar punições. Ela se esforça por criar condições para ser reconhecida e elogiada. Esse controle faz com que a criança adquira novos hábitos e habilidades, mas também a torna dependente da opinião dos adultos e diminui sua curiosidade e iniciativa.
A partir dos seis anos de idade, a criança já adquiriu
a capacidade de sentir culpa. No entanto, os padrões que ela estabelece para si
mesma e as causas da culpa continuarão a mudar no decorrer do processo de
desenvolvimento (CÓRIA-SABINI, 2010). Veja esse trecho do filme "Divertidamente" da Pixar, de 2015:



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