O Desenvolvimento Emocional


Durante o período dos 6 aos 12 anos, ocorrem várias mudanças no desenvolvimento emocional. A medida que o tempo vai passando, as crianças ganham consciência sobre o que estão sentindo e sobre o sentimento dos outros. Elas começam a ter controle de suas emoções quando passam a frequentar ambientes sociais, além de também conseguir controlar as emoções negativas, o que significa um grande passo para o crescimento emocional de um indivíduo.



A criança é inserida no mundo dos adultos, como um processo de socialização. É comum em todas as culturas introduzir a criança a conhecimentos sistemáticos da sua sociedade. Esse método vai variar de cultura para cultura, mas nas sociedades mais complexas esse processo acontece durante a escolarização.

Na escolarização a criança vai entender que a aceitação ou rejeição social vai depender de suas realizações ou ações, desenvolvendo assim o autoconceito, baseado no que as outras crianças ou adultos falam a seu respeito.

Para Freud, a meninice corresponde à fase de latência no desenvolvimento psicossexual, em que as emoções e os impulsos sexuais parecem aquietar-se por influência da educação, e a criança se dedica à aquisição das habilidades aceitas pelo seu grupo cultural (BARRO, 2008). Já Erikson diz que o mais forte impulso, na meninice, é o desejo de sentir-se competente na aprendizagem e na realização de inúmeras habilidades. A criança busca dominar as atividades escolares, mostrar habilidade e competência. Se ela não tiver oportunidade de se desenvolver em tarefas nas quais possa sentir-se competente, virá o sentimento de inferioridade- idade da competência x inferioridade (BARROS, 2008). Ou seja, é nesse período em que a criança tenta mostrar sempre seu melhor em busca da aceitação, porém quando ela não consegue sempre a aprovação, surgem algumas consequências em seu comportamento, por exemplo, agressividade, retraimento e regressão.

Uma criança que fracassa na escola pode apresentar comportamentos agressivos (físicos ou verbais), afim de reagir à frustração ou compensar a rejeição sofrida. A agressão pode ainda manifestar-se em desenhos, no relacionamento com os colegas, ou mesmo nos cadernos e em outros materiais escolares.



Temos a tendência de evitar aquilo que nos faz sentir ameaçados ou inferiorizados, nesse sentido a rejeição se manifesta na forma de retraimento. Assim, a criança pode não expor suas dúvidas para o professor, ou não participar de brincadeiras com os colegas, por medo de não corresponder às expectativas. Ou ela pode ainda fantasiar e querer apenas viver no seu mundo do faz de conta onde a realidade não pode ser testada. 

Ainda nessa conduta de rejeição, a criança pode apresentar características de fases anteriores. Ela volta para uma fase que foi segura na tentativa de fugir de situações conflitantes para ela, Cória-Sabini (2010) denomina esse processo de regressão. Se um irmãozinho nasce, por exemplo, a criança pode se sentir ameaçada em perder o amor dos pais e começa a regredir comportamentos de fases anteriores como querer mamar na mamadeira, não controlar mais a diurese, exigir colo etc.

A família irá ensinar as orientações básicas para a vida. Será no ambiente familiar que a criança vai aprender valores éticos e os ideais religiosos da família. Na escola e no convívio com a comunidade e os companheiros, essas orientações podem ser reforçadas ou questionadas, em conflitos leves ou intensos. Contudo, as ações que a criança nessa fase julga correta são as correspondentes aos padrões grupais. Isso faz com que ela se torne sensível à crítica e à reprovação. Assim, ela começa a conter seus impulsos ou exigências para agradar aos outros ou evitar punições. Ela se esforça por criar condições para ser reconhecida e elogiada. Esse controle faz com que a criança adquira novos hábitos e habilidades, mas também a torna dependente da opinião dos adultos e diminui sua curiosidade e iniciativa.

A partir dos seis anos de idade, a criança já adquiriu a capacidade de sentir culpa. No entanto, os padrões que ela estabelece para si mesma e as causas da culpa continuarão a mudar no decorrer do processo de desenvolvimento (CÓRIA-SABINI, 2010). Veja esse trecho do filme "Divertidamente" da Pixar, de 2015:



Fica exemplificado no vídeo como as emoções nos afetam desde muito cedo, uma vez que no incício será o nosso próprio instinto de sobrevivência (chorar, gritar, etc). Quando as crianças entendem as emoções e as comunicam de maneira assertiva e eficiente, elas podem e conseguem, ao reconhecêlas, escolher melhores estratégias para resolver problemas e lidar com eventos negativos, ou positivos, desenvolvendo, gradualmente, a percepção sobre a perspectiva do outro.

Escrito por Micaele Moura e Maria Clara Nascimento



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